28.9.08
Nietzsche
E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse:
"Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda
inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro
e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de retornar, e tudo na mesma
ordem e seqüência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo
este instante e eu próprio.
A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!" -
Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim?
Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que responderias:
"Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!"
Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és,
ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa:
"Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?"
Pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir!
Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida,
para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?
criado por mil.barsan
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